Slippage e custos de execução no mercado de futuros
O que é slippage, como spread, liquidez, notícias e latência afetam o preço que você realmente recebe, e como medir e reduzir os custos de execução no seu diário.
Quem já passou do backtest para a operação ao vivo conhece o momento: a estratégia deveria entrar num preço e a execução voltou em outro. Essa diferença, somada à corretagem e às taxas da bolsa, é o seu custo de execução, uma das forças mais silenciosas que corroem o resultado. Este artigo divide o custo de execução em partes, mostra como medi-las e o que dá para fazer para reduzi-las.
O que é slippage
Slippage é a diferença entre o preço que você esperava e o preço em que a sua ordem foi de fato executada. Se uma estratégia envia uma ordem de compra com o NQ a 20.000,00 e a execução sai a 20.000,75, você escorregou três ticks contra você. O slippage também pode ser a seu favor, mas com ordens a mercado em condições rápidas ele tende a ser negativo.
É importante entender que slippage não é uma "falha". É uma consequência natural de como o livro de ofertas funciona: cada nível de preço tem um número limitado de contratos. Quando você exige execução imediata, pega o que está disponível e, se o primeiro nível for raso demais ou o preço se mexer antes de a sua ordem chegar, recebe um preço diferente.
Tipos de ordem e como afetam a execução
O tipo de ordem é a primeira decisão que determina quanto slippage você vai absorver.
- Ordem a mercado: garante a execução, não o preço. Útil quando entrar ou sair agora é o que importa, mas fica totalmente exposta ao slippage que o mercado entregar.
- Ordem limitada: garante o seu preço ou melhor, não a execução. Sem slippage negativo, mas o preço pode tocar e fugir sem te executar, ou te executar só em parte.
- Ordem stop: vira ordem a mercado quando o preço toca o nível. Por isso um stop loss num movimento forte pode ser executado bem além do nível que você definiu.
- Ordem stop limitada: limita o preço de execução depois do disparo, mas num movimento extremo pode simplesmente não ser executada, o que é especialmente perigoso na saída de uma posição perdedora.
Não existe um tipo de ordem "certo". Uma estratégia de rompimento normalmente precisa da certeza de execução, enquanto uma estratégia que entra num pullback até um nível pode funcionar com limitadas. A escolha deve ser deliberada e documentada, não um padrão.
Spread, liquidez e impacto no mercado
O spread entre compra e venda é a diferença entre o preço mais alto que um comprador aceita pagar e o preço mais baixo que um vendedor aceita receber. Em contratos líquidos como ES ou NQ durante o pregão principal, o spread costuma ser de um tick, mas de madrugada, perto da abertura ou em contratos menos líquidos ele pode abrir.
Liquidez é a quantidade de contratos disponíveis em torno do preço atual. Quanto maior a sua ordem em relação a essa liquidez, mais níveis de preço ela "come". Isso se chama impacto no mercado. Para um trader com um ou dois contratos de MNQ o efeito é desprezível na maior parte do tempo, mas quem copia ordens para várias contas ao mesmo tempo está, na prática, colocando uma ordem maior, e aí começa a fazer diferença.
A liquidez muda ao longo do dia. Vale conhecer as sessões de negociação de futuros e lembrar que o mercado às três da manhã se comporta de forma muito diferente da primeira meia hora do pregão regular.
Notícias, volatilidade e latência
Perto das grandes divulgações econômicas, o livro pode esvaziar numa fração de segundo. Compradores e vendedores tiram as ordens, o spread abre e o preço pula vários níveis de uma vez. Uma ordem a mercado ou stop enviada nesse momento pode ser executada longe do que você esperava. Por isso muitos traders, e algumas prop firms, evitam novas entradas nos minutos antes e depois de divulgações importantes. Confira as regras da sua empresa na central de ajuda oficial.
Latência é o tempo entre o momento em que um sinal é gerado e o momento em que a ordem chega à bolsa. Uma cadeia automatizada tem vários elos: geração do alerta, entrega do webhook, processamento da ordem e conexão com a corretora. Cada elo acrescenta tempo e, num mercado rápido, cada milissegundo é uma chance de o preço andar. Esse é um dos motivos pelos quais alguns traders preferem rodar estratégias no próprio servidor numa região próxima da bolsa.
Corretagem e taxas da bolsa
Além do slippage, toda operação tem custos diretos: corretagem, taxas da bolsa, taxas de compensação e, às vezes, taxas de plataforma ou de dados. Por contrato são valores pequenos, mas uma estratégia que opera muitas vezes por dia sente isso claramente. Calcule o custo total por operação completa (entrada mais saída) e inclua-o em todo teste histórico.
Um exemplo hipotético: suponha que o custo total por operação completa seja um valor fixo X e que a estratégia faça dez operações por dia. Num mês de cerca de vinte pregões, são duzentas operações, ou 200X em custos, antes de um único tick de slippage. Se o lucro médio por operação no backtest estiver perto de X, a estratégia ao vivo pode ficar no zero a zero ou no prejuízo.
Como medir o slippage no seu próprio diário
Não dá para melhorar o que você não mede. Aqui vai um processo simples:
- Para cada operação, anote o preço que o sinal "pretendia": o fechamento do candle que gerou o sinal, ou o nível da limitada ou do stop.
- Anote o preço real de execução do extrato da corretora.
- Calcule a diferença em ticks, com sinal: positivo a seu favor, negativo contra.
- Anote o horário, o tipo de ordem, o tamanho da posição e se havia alguma divulgação de notícia por perto.
- Depois de algumas dezenas de operações, tire a média do slippage por horário e por tipo de ordem.
O resultado pode mostrar, por exemplo, que entradas na abertura custam mais que entradas no meio do dia, ou que os stops são executados mais longe que as saídas no alvo. É uma informação com a qual dá para agir. Leve esse mesmo número de volta aos seus testes; há mais sobre isso no artigo sobre backtest vs operação real.
Formas de reduzir os custos de execução
- Escolha o tipo de ordem que combina com a estratégia, e não o que você usa por hábito. Veja se algumas entradas podem ser limitadas.
- Evite operar em janelas de pouca liquidez ou perto de notícias, a menos que a estratégia tenha sido feita para isso.
- Use contratos micro quando precisar de um dimensionamento mais fino e divida ordens grandes quando necessário.
- Encurte a cadeia de execução: menos elos, menos espera e um servidor estável.
- Inclua slippage e taxas nos seus testes como premissa conservadora, para manter as expectativas realistas.
- Revise os dados com regularidade, porque as condições de mercado mudam e o que vale hoje pode não valer daqui a seis meses.
Pontos principais
- Slippage é parte inerente do trading, não um bug. Vem da liquidez, da velocidade do mercado e do tipo de ordem.
- Ordens a mercado e stop ficam expostas ao slippage; ordens limitadas ficam expostas a não serem executadas.
- Notícias e horários de pouca liquidez abrem o spread e aumentam o risco de execuções distantes.
- Corretagem e taxas da bolsa se acumulam rápido em estratégias de alta frequência.
- Meça o slippage no seu diário por horário e tipo de ordem e leve os números de volta aos testes.
A WeCore executa sinais do TradingView ou das suas próprias estratégias diretamente na sua conta da corretora ou da prop firm, e o motor também pode rodar num servidor em nuvem na sua própria conta. Um primeiro passo sensato é o modo de simulação, comparando os preços executados com os sinais antes de passar para uma conta real.